Talvez você ainda não tenha percebido, mas a tecnologia está evoluindo em um ponto que deixa vários empregos ameaçados.
Os trabalhos manuais, que envolvem a memorização de informações e a repetição de atividade e processos, são sim passíveis de serem trocados por máquinas.
A intenção aqui, claro, não é criar um clima amedrontador que faça com que tenhamos medo do futuro e receio do que vem por aí.
Mas que, sim, estejamos cientes que o futuro ou (presente) exigirá mais de nós, e isso tem um lado muito bom.
Precisaremos ser mais humanos, criativos e ligados ao nosso real propósito. Por isso, nosso engajamento com a educação precisa ser maior.
Precisamos estimular não somente os alunos de nossas escolas, como ajudar nosso país a criar uma cultura favorável ao aprendizado constante e ao desenvolvimento da criatividade.
Cada um de nós pode ajudar de alguma forma para que a educação se fortaleça e a sociedade se torne mais próspera e empática.
Isso começa (acredite!) levando as discussões para os nossos amigos, redes sociais, e familiares.
Começamos por nós mesmos, passamos depois para a nossa escola, para as pessoas mais próximas e a transformação vai se alastrando. Vamos nessa?
Ser criativo não será um bônus pro currículo, e sim uma forma de sobrevivência
Por muito tempo, a função de praticamente todos os empregados foi a de atuar como uma engrenagem no meio de um todo. Por exemplo, sendo um operário de uma máquina em uma fábrica de sapato.
Todos os dias, nada mudava, a rotina era a mesma. Bastava seguir aquele mesmo roteiro, e esperar pelo fim do mês pela “recompensa” em dinheiro.
No entanto, o mercado mudou de tal forma que essa rotina está ameaçada. No passado, o dono do meio de produção era quem tinha as fábricas, as máquinas, e então os funcionários faziam o trabalho manual que lhe garantia a riqueza.
O tempo foi passando, e o trabalho feito por nós humanos foi se tornando a cada dia mais dependente da criatividade, da inteligência e do conhecimento, e menos dependente do trabalho manual, que pode ser substituído pelas máquinas, e de outros fatores externos.
Em um exemplo mais prático, trazendo para uma situação fácil de se notar: se antes alguém quisesse se tornar famoso, dependia que algum veículo midiático lhe desse espaço.
Nos moldes atuais, basta que essa pessoa crie conteúdo na internet e essa pessoa tem a chance de ficar muito conhecida em nichos específicos ou para grandes grupos.
Se vermos hoje a lista das empresas mais valiosas do mundo, veremos que as campeãs são aquelas que têm mais dados, e não bens físicos.
A Uber virou a maior empresa de táxi do mundo sem ter sequer uma frota.
O Airbnb a maior empresa hoteleira sem ter um hotel sequer. E novas grandes empresas e tecnologias surgirão tornando o que existia antes obsoleto.
A internet mudou a lógica da economia e todos os indivíduos ganharam uma chance.
O exemplo do porteiro: o que é verdadeiramente humano não perde valor
A profissão de porteiro é uma daquelas que, teoricamente, poderia ser trocada por um sistema de inteligência artificial, que utiliza a tecnologia de reconhecimento facial e faz uso de automações.
A profissão de trocador de ônibus, por exemplo, já se tornou incomum em várias das grandes cidades.
Mas a história de Wellington, porteiro em um prédio na Savassi, em Belo Horizonte, nos traz uma nova perspectiva sobre isso. Wellington trabalha como porteiro em um prédio de 11 andares, onde estão alocadas 8 empresas diferentes.
Ele conhece praticamente todos os 150 colaboradores que trabalham no prédio e cumprimenta a maior parte deles pelo nome.
Mais do que isso, dezenas desses, ao entrarem no prédio, fazem brincadeiras com Wellington, sobre futebol, sobre o clima, entre outros assuntos. Um sorriso é sempre a resposta de um, ou outro, ou ambos.
Quem chega ou sai do prédio tem sempre algum comentário pronto para brincar com Wellington.
Wellington também está sempre disposto a ajudar quem trabalha naquele prédio. Algum problema no estacionamento, precisa de alguma manobra, para que outro carro saia? Ele já sabe quem procurar.
Alguma entrega de encomenda? Ele recebe e entrega para a pessoa certa.
No fim, ele ali não é alguém que simplesmente está ali para observar a entrada do prédio. Ele é alguém que tem um desejo genuíno de ajudar quem trabalha naquele prédio e presentear com bom humor todos que por ali passam.
Alguma máquina substituirá ele à altura? A resposta você já sabe…
A criatividade é o futuro
As escolas precisam mudar o modelo por sobrevivência. O mundo em que vivemos hoje passa por grandes transformações, e até mesmo empresas bilionárias saíram de cena, porque não se reinventaram.
Os colégios estão mudando, especialmente os particulares, mas não na velocidade desejada. As instituições de ensino públicas brasileiras, infelizmente, ainda continuam bem aquém do ideal.
A questão é que realmente não somos capazes de prever o futuro. Se fôssemos, poderíamos continuar com um modelo de educação pragmático, como estamos.
Como disse Ken Robinson:
O modelo de escola atual prepara todos os alunos de uma forma que, se forem bem sucedidos e seguirem o script planejado pelos educadores, se tornarão professores universitários. Como se essa profissão fosse o auge de toda carreira, o lugar número um do pódio a ser alcançado.
Nada contra a profissão, realmente é um trabalho fantástico! Mas, uma escola que não mata a criatividade dos alunos, ajudará a formar todos os tipos de talentos, inclusive excelentes professores.
Picasso disse: “Toda criança nasce artista. O desafio é que ela permaneça um artista enquanto cresce.”
Seth Godin, ícone do marketing e inspiração para este artigo, diz que “A arte é um ato pessoal de coragem, algo que um humano faz que cria mudanças em outro”.
Se durante toda história da educação as escolas preparavam os estudantes para o formato do mercado de trabalho da época, hoje já é impossível, já que as mudanças de carreiras e profissões tornam-se cada dia mais rápidas.
Estimular a criatividade e a resiliência entre os alunos fará diferença para que eles se sobressaiam no futuro.
Para ilustrar o modelo atual de escola, Ken exemplifica o caso de Gillian. Enquanto ela estava na escola, era uma garota totalmente sem esperança.
A falta de esperança não era só dela, como especialmente de quem convivia com Gillian. Isso até um dia em que seus professores escreveram aos seus pais: “Achamos que Gillian tem dificuldades de aprendizado, ela é incapaz de se concentrar, em qualquer coisa”.
Não se sabe ao certo os detalhes, mas a trajetória escolar dela não fugiu muito disso, durante todos os anos letivos.
Anos após o fato, Ken descobriu uma coreógrafa brilhante do Balé Real. Era Gyllian. Definitivamente, ela era uma estrela!
Daí, pensemos, quantos talentos podem ter sido desperdiçados pelas escolas? Quantas habilidades e paixões deixaram de ser exploradas?
Melhor não contarmos e lamentar o passado. Mas precisamos mudar nossas ações no presente para termos um futuro diferente.

O que sua escola pode fazer para estimular a criatividade?
Dê a oportunidade dos alunos fazerem coisas diferentes. Dê a chance de que façam atividades relacionadas às suas maiores paixões. Por exemplo, um aluno que ama futebol.
Peça para que ele elabore uma palestra relacionada ao tema. Algo como:
- O que se passa na mente dos atletas mais vencedores da história
- A relação do futebol com a cultura e identidade nacional
- O peso da disciplina e do esforço no sucesso no esporte
Assuntos, em todas áreas, não faltam. E o conhecimento adquirido por eles podem ser espalhados entre os alunos e até mesmo entre os pais. Todos têm algo de valor para compartilhar.
Isso cria um ciclo interessante para a sua escola, em que os próprios alunos presenteiam toda a comunidade escolar com conteúdos muito bem elaborados.
Além das palestras, outros tipos de conteúdos podem ser vídeos, podcasts, livros (ebooks), poesia, artigos, entre outros.
A prática de diferentes tipos de atividades ajudarão até que eles encontrem suas paixões e verdadeiros propósitos. Veja aqui como ensinar alunos a falarem em público pode ser tão útil à sua escola.
Lista de atividades que estimulam a criatividade
Não podemos pensar somente em estimular os alunos a serem criativos, já que essa é uma característica também necessária para os educadores.
Todos precisarão de usá-la para conseguirem conquistar a atenção dos alunos e despertarem o interesse deles pela a escola.
O pesquisador e psicólogo Keith Sawyer, autor do livro The Surprising Path to Greater Creativity
Keith Sawyer, psicólogo e pesquisador e autor de Zig Zag: The Surprising Path to Greater Creativity, lista algumas dicas interessantes para que a criatividade seja desenvolvida com mais facilidade.
Torne-se um especialista
Focar em uma área dá resultado. O segredo do sucesso não está em um dom natural, e sim na prática. Para ser muito bom em algo, as pesquisas indicam que são necessárias 10 mil horas de prática.
Antes de ser criativo, é necessário se tornar especialista em algo. E, claro, para se tornar um especialista, voce precisa gostar de verdade do assunto, se não vai ser incapaz de persistir nas dificuldades que encontrar.
Em uma escola, deixar com que os alunos sigam um mesmo caminho em diferentes atividades propostas vai fazer com que eles se interessem mais pelo que estão fazendo.
Esteja aberto a novas soluções
Ser criativo tem a ver com estar sempre aberto a inovação, em busca de novas soluções. O criativo é um inconformado, pode até aceitar as coisas como são, mas sempre busca formas de melhorá-las.
Com a prática, e o entendimento que a inovação acontece por meio da curiosidade e da prática, a criatividade ganha força.
Brinque e relaxe a mente
Dificilmente, alguém que trabalha estressado e com alta carga de tensão conseguirá ser criativo. Logo, quando você brinca, a mente pode vagar e o subconsciente tem tempo para trabalhar.
O tempo livre é necessário para a criatividade acontecer.
Bárbara Oakley, especialista no tema aprendizagem, diz que o relaxamento é uma das formas de aprendermos melhor.
Após estudarmos algo novo, em que nossa mente é forçada a aprender, o relaxamento posterior ajuda o cérebro a absorver de verdade aquelas informações.
“Você tem que criar a confusão sistematicamente; isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida,” Salvador Dalí
Tenha volume
O princípio de um bom brainstorming diz que primeiro trabalhamos a quantidade, para depois refiná-las. O volume é importante porque depois que esgotamos as possibilidades comuns, podemos focar nas mais criativas.
No fim, talvez as ideias mais malucas sejam as mais revolucionárias, e funcionam.
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O que você precisa para revolucionar o marketing da sua escola?
Não espere um momento para ser criativo
Por fim, é necessário ter coragem e agir. Se tem ideias, procure validá-las na prática, e só assim a criatividade vai fluir.
Nem todas as ideias serão criativas, é verdade. Mas com a prática, e tentativa e erro, a criatividade aparecerá.
Além disso, busque incentivar outros bons hábitos como:
✔️ Ter boas noites de sono
✔️ Leitura constante
✔️ Escrita das principais ideias quando elas aparecem
✔️ Desafios para si mesmo
✔️ Paixão pelo que faz
Gostou das dicas? Busque conectá-las com a realidade da sua escola, e incorporar boas técnicas no dia a dia da instituição, para que os alunos – e a própria equipe de colaboradores – consiga desenvolver a criatividade.